Benefícios da corrida para idosos: existe idade certa para correr?

Conheça alguns pontos positivos do esporte e como começar a praticar

Por: Amanda Panteri14/09/2020

corrida para idosos

Nunca é tarde para deixar o sedentarismo de lado e apostar em um estilo de vida mais ativo. Inúmeros estudos científicos mostram que os idosos podem sair ganhando (e muito!) com os exercícios físicos. Mas e quando se trata de atividades de alto impacto: quais são benefícios da corrida para idosos?

“Não só a corrida, como também diversas outras modalidades são válidas. Afinal, com o passar do tempo, perdemos mobilidade, elasticidade, massa muscular e densidade óssea. Em alguns casos, até o lado social pode ficar prejudicado. E a corrida tem o potencial de prevenir e retardar todos esses problemas”, explica Ramon Barros, profissional de educação física da Smart Fit em Alagoas.

Um estudo americano, inclusive, mostrou que as pessoas com mais de 60 anos que correm pelo menos 30 minutos três vezes por semana têm menos chances de sentir os efeitos relacionados à idade do que aqueles que simplesmente fazem caminhadas.

Benefícios da corrida para idosos

Consultamos especialistas e explicamos por que corrida para idosos é uma boa opção quando falamos em saúde e qualidade de vida.

1. Retarda a perda de massa muscular

Sarcopenia é o termo médico usado para designar a redução natural e progressiva de massa muscular conforme envelhecemos. Mas, apesar de ser espontâneo, não significa que não podemos combatê-lo.

A corrida, quando associada a uma dieta nutritiva (com ingestão adequada de proteínas), é uma ótima estratégia. “Ela tonifica principalmente os músculos dos membros inferiores, evitando a perda de força e volume dessa região”, confirma o ortopedista e especialista em medicina esportiva Pedro Baches Jorge, fundador da Clínica SO.U.

2. Aumenta a densidade óssea

O estímulo gerado pela atividade incentiva nossos ossos a produzirem mais células. “Isso aumenta a densidade mineral óssea, reduzindo as chances de fraturas e de desenvolvimento de osteoporose”, diz Ramon Barros.

3. Melhora a capacidade cardiorrespiratória

Segundo o ortopedista, indivíduos com pernas fortes vivem mais, uma vez que os membros exercem um importante papel no retorno venoso do sangue para o coração.

Por falar em coração, ele também é beneficiado com a melhora da função cardiorrespiratória que a corrida proporciona – diminuindo a incidência de doenças crônicas como hipertensão e colesterol alto.

4. Mais equilíbrio e mobilidade

Ramon Barros explica que é comum desenvolvermos uma certa rigidez no corpo em um estilo de vida sedentário. “O líquido sinovial, localizado entre as articulações, funciona como um ‘óleo lubrificante’, mas vai diminuindo com o tempo. Ao movimentar-se, você incentiva a sua produção e garante mobilidade.”

Músculos tonificados da corrida também trazem mais estabilidade, resultando em um melhor equilíbrio. Sem contar que a atividade trabalha a coordenação motora.

5. Melhora o humor

Além dos esportes influenciarem diretamente na produção de substâncias conhecidas pela sensação de bem-estar (dopamina e serotonina, por exemplo), eles desenvolvem o nosso lado social. “A corrida desafia e pode proporcionar o aumento do círculo social do idoso que treina ao ar livre ou em grupo”, diz Ramon.

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Corrida para idosos: como começar?

Se você é idoso e está pensando em apostar no esporte, existem alguns cuidados para que a prática seja mais prazerosa e as chances de lesões menores, principalmente se ficou um bom tempo parado ou nunca treinou. “Antes, é importante reforçar o reflexo, a coordenação motora e a força muscular para evitar quedas e acidentes”, diz Pedro Baches Jorge. Confira as orientações do profissional para começar a correr:

1. Antes de correr, caminhe

Mesmo que você se sintam pronto para treinar e todos os seus exames indiquem que a sua saúde está em dia, nada de sair correndo por aí. “Comece fazendo caminhada três a quatro vezes na semana – em dias alternados – por aproximadamente 30 minutos. Aos poucos, vá intercalando a intensidade: 10 minutos de caminhada + 10 minutos de trote + 10 minutos de caminhada, ou como preferir”, recomenda o profissional de educação física.

De acordo com Pedro, começar a correr gradativamente evita o processo de imunossupressão (enfraquecimento do sistema imunológico), que pode aparecer quando exageramos no treino.

2. Alongue o se corpo

“Principalmente os músculos posteriores das pernas e uma parte da coluna”, diz Ramon. “Eu sinto muita diferença quando alongo antes do exercício e recomendo para meus pacientes”, complementa o médico.

3. Aqueça antes de treinar

O aquecimento prepara o corpo para a atividade, uma vez que aumenta o fluxo sanguíneo para dentro do músculo, o que diminui a incidência de lesões e dores durante o exercício.

4. Treine para ter fortalecimento

É preciso intercalar a corrida com sessões de força focadas nos músculos do glúteo e das pernas. “Quanto mais fortalecida a região, mais protegidas estarão articulações como quadril, joelhos e tornozelos. A dor ao correr na maioria das vezes é causada por dois fatores: exagero nos treinos ou falta de equilíbrio muscular”, afirma o ortopedista.

5. Descanse!

Além de ser bom para a sua imunidade, o descanso promove a recuperação adequada do organismo antes de mais um estímulo.

Converse com um especialista

Se não estiver seguro para a prática, converse com o seu médico e com um profissional de educação física. “Afinal, a corrida exige bastante da função cardiorrespiratória e pode gerar desconforto muscular e dores se não feita corretamente”, explica Ramon Barros. “Não hesite em pedir um check up geral.”